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Os Únicos Medos Inatos do Ser Humano: Mito ou Verdade?

Foto do escritor: Glauce Babo
Glauce Babo
20 de jul.
4 min de leitura

Atualizado: 21 de jul.


Homem em escritório pensando sobre os medos inatos do ser humano
Você sabia que a ciência prova que nascemos com apenas dois medos?

Você já parou para pensar de onde vêm os seus medos?


Seja o medo de sair de casa, o medo de andar na rua, o medo do escuro, falar em público, medo de locais fechados (elevador, por exemplo), a psicologia esconde um segredo fascinante: a maioria desses medos e de fobias não nasceu com você. Foi APRENDIDA ao longo da vida.


Existe uma máxima na psicologia que afirma: existem apenas dois medos inatos do ser humano. Nascemos exclusivamente com o medo de barulho alto e o medo de cair. Todos os outros medos que enfrentamos na vida seriam inventados ou aprendidos.


Mas será que essa afirmação é baseada em fatos ou é apenas um mito de internet? Vamos direto à ciência.




A Origem: O Experimento que Mudou a Psicologia


O psicólogo americano John B. Watson, fundador do behaviorismo, realizou no início do século XX estudos rigorosos com recém-nascidos. Ele queria descobrir que reações humanas eram puramente biológicas e quais eram moldadas pelo ambiente.


Watson descobriu que, ao contrário dos animais que nascem com vários medos programados para a sobrevivência, os bebês humanos eram surpreendentemente corajosos. Eles não temiam cobras, fogo ou o escuro. No entanto, duas coisas disparavam o choro e o desespero imediato dos recém-nascidos:


• Sons intensos e abruptos: geram uma reação física imediata de defesa.

• Perda de sustentação: sensação de vazio ou de falta de apoio (o medo de queda).



Como Aprendemos a Ter Medo de Outras Coisas?


Se nascemos tão destemidos, como nos tornamos adultos cheios de fobias? A resposta é o condicionamento.


Se um bebê não tem medo de um rato branco, mas toda vez que o animal aparece um metal pesado é golpeado fazendo um barulho assustador, o cérebro do bebê associa o rato ao barulho. Em pouco tempo, o simples visual do rato causará pavor. Foi exatamente isso que Watson provou em seu famoso experimento, documentado em 1920 e publicado no Journal of Experimental Psychology.


Aprendemos a ter medo por:


• Experiências traumáticas: Tomar um choque ou ser mordido por um animal.


• Observação cultural:  Ver nossos pais reagindo com pânico ao entrar em um elevador ou ao andar na rua nos ensina que aquele ambiente é perigoso.





O que a Ciência Moderna Diz sobre os Medos Inatos do Ser Humano?


A teoria de Watson é um marco, mas a neurobiologia moderna trouxe updates importantes. Hoje, os cientistas dividem nossos medos em três categorias:



1. Medos Inatos (Os 2 de Watson)


O medo de altura e de barulhos altos continuam sendo os únicos reflexos mecânicos e universais de nascença. Eles funcionam como alarmes biológicos imediatos para proteger o corpo de danos físicos.



2. Medos Pré-programados (Evolutivos)


A ciência atual descobriu que não nascemos com medo de locais fechados ou de altura extrema, mas nascemos com um cérebro altamente preparado para desenvolver esses medos com extrema facilidade.



3. Medos Sociais


O medo da rejeição, do isolamento ou de falar em público tem raízes biológicas profundas. Na pré-história, ser expulso da tribo significava a morte certa. Por isso, seu cérebro processa o julgamento dos outros com o mesmo pavor de uma ameaça física.


Conclusão: Você é Dono dos Seus Medos


A afirmação de que só temos dois medos originais está cientificamente correta em sua essência. Nascemos com a folha em branco, equipados apenas com o kit básico de sobrevivência contra quedas e barulhos perigosos.


A grande vantagem de saber disso?


Se a maior parte dos seus medos foi aprendida, significa que eles também podem ser desaprendidos. A psicologia moderna usa técnicas de exposição e reprogramação comportamental, justamente para mostrar ao cérebro que aquilo que ele aprendeu a temer no passado não precisa mais controlá-lo hoje.




E você, de onde acha que vêm os seus medos?


Agora que você sabe que a maioria das nossas fobias é aprendida, olhe para trás: qual é o seu maior medo hoje e como você acha que o adquiriu?


Se este artigo expandiu sua mente, compartilhe com aquele amigo que tem medo de tudo!




📚 Referências Bibliográficas



  • WATSON, John B.; RAYNER, Rosalie. Conditioned emotional reactions. Journal of Experimental Psychology, v. 3, n. 1, p. 1–14, 1920. [Link do experimento original].


  • BECK, H. P.; LEVINSON, S.; IRONS, G. Finding Little Albert: A journey to John B. Watson's infant laboratory. American Psychologist, v. 64, n. 7, p. 605–614, 2009.


  • ÖHMAN, Arne; MINEKA, Susan. Fears, phobias, and preparedness: Toward an evolved module of fear and fear learning. Psychological Review, v. 108, n. 3, p. 483–522, 2001.






Sofre com medos intensos ou ansiedade paralisante?


Se o medo de sair de casa, de andar na rua ou de enfrentar locais fechados e cheios tem limitado a sua rotina, lembre-se: Medo aprendido, pode ser desaprendido!


Através da psicoterapia integrando a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), Neurociência e terapias da terceira onda, trabalho a reprogramação dessas respostas para que você recupere o controle da sua vida e a sua liberdade.


Quer entender como iniciar esse processo de superação?


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Sobre a Autora:


Glauce Babo — Psicóloga Clínica (CRP 05/14141)


Psicoterapeuta para adultos, especialista em Neurociência, Comportamento e Psicopatologia pela PUC-PR, utiliza a abordagem da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e terapias da terceira onda.



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